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  1. Samara Dalloul fale um pouco da sua origem, família e pais. Tem alguém como exemplo de vida?

Resposta: Venho de uma família simples de descendentes de sírios em Campo Grande/MS. Meus pais se casaram muito jovens e pude testemunhar parte de seus estudos e futuramente aprovações em concursos públicos estaduais. Meu pai é psicólogo e trabalha na Secretaria de Saúde do MS, minha mãe é professora da rede estadual de ensino. Tenho um irmão e uma irmã que são muito inteligentes, mas acima de tudo seres humanos espetaculares que também repartem meus gostos, embora tenham formações diversas.

Meus pais sempre foram um grande exemplo de dedicação e superação. Assisti minha mãe terminar o ensino médio, ingressar em uma universidade pública e passar no concurso que queria logo após se formar. Neste meio tempo meu pai, que já era formado, dava aula em vários períodos e se dedicou a algumas provas. Acredito que os ver sempre superarem obstáculos com obstinação tenha incutido em mim a crença de que tudo é possível com muito trabalho duro e bom humor. São meus exemplos de vida.

 

  1. Samara Dalloul, poderia falar um pouco sobre sua formação? Foi boa aluna? Gostava de estudar?

Resposta: A coisa que mais gosto nesta vida é ler, e assim foi desde muito pequena. Minha casa tinha muito pouco, mas era abarrotada de livros. Sempre fui boa aluna e tirava boas notas. Tinha bastante facilidade na escola e gostava muito de estudar, sempre tive claramente a ideia de que aquele era meu passaporte para um futuro onde eu pudesse fazer a diferença.

Ingressei na faculdade de direito da UFMS em fevereiro de 2008 e lá me formei. Aproveitei muito cada oportunidade da vida acadêmica, achava que os concursos ficariam para depois (embora já pretendesse fazê-los) – participei de todos os grupos de estudos, atividades de extensão, monitorias e trabalhos de pesquisa acadêmica que me interessaram.

 

  1. Samara Dalloul, como começou sua história na vida do concurso público? Foi focado para o concurso de Procuradora da República?

Resposta: Ainda criança alimentava o sonho de ser juíza, motivo pelo qual me formei em direito. Na metade da faculdade (2010) foi aberto o concurso para servidores do Ministério Público da União (MPU) e muitos colegas e conhecidos passaram a falar somente nisso. Até então meu plano era primeiramente me formar, ingressar em um bom programa de mestrado e depois pensar na carreira pública que me inspirava.

Só que eu tinha história com o MPU. Meu tio é um dedicado membro do MPF (hoje Procurador Regional) e minha tia servidora dos quadros do MPU (hoje já aposentada). Foi ela que insistiu que valia a pena me inscrever nesse concurso e me presenteou com um livro de Direito Administrativo pra me ajudar (já que não havia chegado nessa matéria na faculdade).

Convencida quase na última hora, me inscrevi e dediquei algumas semanas de maneira bem intensa a um material de curso online para o então cargo de Técnico Administrativo (hoje Técnico do MPU), no qual fui aprovada em MS na 33ª posição, o que não garantia nomeação imediata. Entusiasmada em aprender sobre a instituição que só conhecia pelos olhos de minha família, resolvi também fazer o concurso de estágio do MPF naquele ano, no qual também fui aprovada.

Foi amor no primeiro dia de trabalho.

Estagiar no MPF me fez perceber que as ânsias e crenças que tinham encontravam morada certa ali, o que só se reforçou quando em meados de 2012 finalmente fui chamada a ocupar o cargo de servidora.

Efetivada em um bom cargo, no qual era muito feliz, formei-me na universidade 6 meses mais tarde. No ano de 2014 percebi que não era cedo demais e resolvi investir em meu sonho. Nunca tentei “ concursos trampolim”.

 

  1. Quais foram as principais dificuldades no início do estudo para concurso público? Como fez para vencer tais obstáculos?

Resposta: A principal dificuldade que enfrentei foi a acrobacia entre trabalhar, estudar, cuidar da saúde, ter vida social, namorar e conviver familiarmente. Sempre fui bastante “cabeça dura”, então quando resolvi focar no concurso do MPF logo contratei um cursinho e passei a assistir aulas todos os dias. Aulas não são meu forte, então a rotina foi ficando insuportável – fui tentando adaptar então métodos diferentes, horários diferentes, tudo até que uma rotina se “encaixou”. Isso demorou 2 anos para acontecer.

A abertura do edital do 29º Concurso para Procuradores da República, em 2016, foi um divisor de águas para mim, pois criou um senso de urgência que me obrigou a encontrar um ritmo que consegui manter. O concurso foi judicialmente suspenso, mas permaneci estudando com o mesmo afinco durante todo o tempo em que esteve parado (até obtive aprovação no concurso da Defensoria Pública da União neste espaço de tempo, além de melhores resultados em provas de magistratura federal, que eram as únicas que costumava fazer).

Venci os obstáculos persistindo em encontrar uma rígida rotina que me fosse confortável, sem criar a impressão de que não estava aproveitando a vida, mas com total certeza de que estava dando meu melhor.

 

  1. Pensou em desistir em algum momento do seu sonho de ser Procuradora da República? Sofreu rejeição ou pressão familiar?

Resposta: Nunca pensei em desistir e nunca duvidei que conseguiria. Como disse, sempre fui muito “cabeça dura” então se ainda precisasse de mais 20 anos estudando para chegar lá, estudaria mais 20 anos.

Minha família sempre foi incentivadora e apoiadora em minha rotina de estudos. Encararam como uma fase necessária da vida e sempre acreditaram em meu potencial. Da mesma maneira, meu namorado (apesar de não ser concurseiro) sempre apoiou minhas escolhas, respeitou meus horários e se inseriu no meu ritmo e rotina com tranquilidade e paciência.

  1. Estudava quantas vezes na semana e horário?

Resposta: Estudava todos os dias da semana, mas em horários que variaram bastante ao redor dos anos. Minha “versão final” foi das 4h às 10h e das 19h30 às 21h30 de segunda a quinta; das 4h às 10h às sextas-feiras; das 8h às 12h e das 14h às 17h aos sábados e de 9h às 11h nos domingos. Trabalhei sempre das 12h às 19h nos dias de semana.

  1. Como se vê como pessoa? Quais suas características pessoais mais importantes que não deixou você desistir de seu sonho?

Resposta: Acredito que seja uma pessoa extrovertida, alegre e responsável – é essa a maneira que me apresento ao mundo, não importa a ocasião. Muita gente estranha esse jeito de ser em um meio tão sério, mas é uma parte importante da minha personalidade.

As características pessoais mais importantes na realização desse sonho, primeiramente, foi a clareza com que sempre decidi quais caminhos seguir, a dedicação em não desviar nunca de meus objetivos e a responsabilidade com que enxergava minha rotina de estudos.

 

Ademais, caro leitor, a entrevista completa com a Procuradora da República Samara Dalloul, estará em breve no livro: “O poder da mente milionária”!!! Aguarde o lançamento do livro.

 

Sobre o autor

Sérgio Bento De Sepúlvida Júnior

Sérgio Bento De Sepúlvida Júnior

Sócio Administrador e Escritor

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