Hélio Pacheco Nelsis, Rogério Dias, Geraldo Nunes e Alexandre Fetter são os fundadores da Severo Garage, rede que deve fechar o ano com 22 unidades abertas no país

Imagine passar a vida inteira estudando e se dedicando para um propósito. Agora imagine largar tudo isso para investir em algo totalmente diferente do que ocupou toda a sua trajetória. Essa é a história de Hélio Pacheco Nelsis, jovem gaúcho que largou uma carreira estável no mundo da advocacia para vender hambúrgueres. E deu certo.
Ele é fundador da Severo Burger, restaurante em Porto Alegre (RS), e da rede de franquias Severo Garage, que deve fechar o ano com 22 unidades no país.
Com os negócios, espera fechar 2018 com um faturamento de R$ 18 milhões. Chegar nesse patamar não foi fácil, entretanto. Durante o caminho, muitas dúvidas e muito trabalho.
Tudo começou em 2012, quando o advogado se preparava para prestar alguns concursos na área do direito. No ano, viveu sua maior decepção ao saber que não havia sido selecionado para a vaga. Decidiu, então, largar tudo e mudar totalmente de área.

Desde muito jovem, Pacheco sempre foi apaixonado por gastronomia. Um dos seus grandes dotes era preparar churrascos para os amigos. E o gaúcho tinha um diferencial: preparava hambúrgueres caseiros nas suas festas – e sempre considerou a resposta muito positiva de quem experimentava o prato.
Tanto é que decidiu fazer disso seu negócio. Saiu do direito e começou a organizar eventos em Porto Alegre. Nos encontros, produzia os mini hambúrgueres com pães e molhos especiais. Pachecou chegou a vender seus lanches durante o festival Planeta Atlântida, no Rio Grande do Sul, para um público de 40 mil pessoas. O interesse do público abriu os olhos do empresário.

“Percebi que tinham poucas hamburguerias em Porto Alegre e esse era um bom nicho de mercado para apostar”, diz. Interessado na ideia, chamou os amigos Rogério Dias, Alexandre Fetter e Geraldo Nunes para pensar em um projeto. Pesquisou durante três anos até tirar a Severo Burger do papel.
Em 2015, abriu as portas do restaurante de três andares, com capacidade para 100 pessoas. E o negócio bombou. Fez tanto sucesso que os jovens decidiram que valia a pena expandir. Um ano depois da abertura da casa, modelaram um novo negócio inspirado na casa original.
Severo Garage
A alternativa encontrada pelos empreendedores foi lançar a Severo Garage, um restaurante menor, no modelo de compra e retirada no próprio balcão. Um modelo similar ao fast food, com preços mais acessíveis do que o restaurante original.

“No começo foi bem difícil fazer essa distinção para os clientes. Até hoje, as pessoas vinculam e confundem os restaurantes. Mas a gente entende que o modelo do Garage é mais fácil de expandir para outras regiões.” Em dois anos, os empreendedores já venderam 18 unidades da Severo Garage – serão 22 até o fim do ano.
A maioria absoluta no Rio Grande do Sul, mas também há unidades em Santa Catarina, Minas Gerais. No início do ano que vem, a empresa deve inaugurar sua primeira unidade em São Paulo. “Nosso maior sonho foi chegar ao mercado paulistano. É a terra das hamburguerias, certo?”

Para estruturar a expansão, Pacheco diz que a maior dificuldade foi em relação aos pães dos lanches. A matéria-prima das casas é fornecida por uma produtora local, de Porto Alegre. Na expansão, ela ensina fornecedores locais a produzirem os pães. “É o processo mais demorado, porque precisamos aprovar para manter o padrão.”
https://revistapegn.globo.com/Franquias/noticia/2018/11/eles-largaram-carreiras-estaveis-para-faturar-r-18-milhoes-com-rede-de-hamburguerias.html
CRIADA NA COZINHA DE CASA COM APENAS R$ 800, LANCHONETE FATURA MILHÕES COM DELIVERY DE LANCHES

No início de 2015, a mineira Camila Guerra resolveu usar toda sua economia para abrir um delivery de lanches. Com um investimento inicial de R$ 800, ela selecionou os melhores ingredientes para o hambúrguer e comprou embalagens de qualidade. “Como tinha pouco dinheiro para começar, optei por comprar em quantidades menores para manter um alto padrão”, relembra.
Da cozinha de casa, criou sua própria receita de hambúrguer, montou um cardápio com 12 opções de lanches e abriu a American Burger. “Divulguei meu negócio no boca a boca, com panfletos e também pelas redes sociais”, conta.
Nos dois primeiros meses, Camila vendia uma média de três lanches em dias normais. Em noites de alta saída, conseguia chegar a 16 vendas. “Entregava tudo de carro. Quando um cliente estranhava, dizia que tinha ido eu mesma porque a noite estava sobrecarregada de pedidos.”
Em menos de três meses, resolveu se cadastrar na plataforma de delivery iFood para expandir as vendas. Os pedidos aumentaram tanto que foi preciso contratar motoboys para ajudar com a entrega. Como seu foco era ser 100% delivery, decidiu expandir ao máximo a área de atuação em Contagem (MG). “Sempre detestei ligar em um restaurate e ouvir que eles não entregavam no meu endereço. Meu objetivo era atender todo mundo”, conta.
Em agosto, apenas quatro meses após começar a American Burger, a produção estava tão intensa que ela teve que mudar de endereço. “Começou a ficar meio desorganizado e insustentável. O sofá da minha sala, por exemplo, quebrou de tanto motoboy sentar”, comenta. Toda a operação foi, então, transferida para um prédio de dois cômodos que pertencia à família – embora totalmente reformado, o prédio é até hoje a sede da marca.
A decisão de focar apenas no delivery e de aderir à plataforma de entregas deu tão certo, que a mineira fechou 2015 com uma renda média mensal de R$ 75 mil. Em 2017, a American Burger bateu as 13 mil unidades por mês, chegando a um faturamento de R$ 5 milhões. A projeção para este ano é de R$ 7 milhões.
Padrão American Burger
Para garantir que a entrega seja bem feita, e siga o mesmo padrão de qualidade da produção dos lanches, Camila não terceiriza os motoboys. Todos são funcionários da empresa e precisam seguir à risca padrões de comportamento. “Ele é o meu garçom, a única pessoa que vai conhecer pessoalmente meu cliente, então precisa ser o mais educado e cordial possível para garantir uma boa experiência”, explica.
No começo do negócio, a American Burger fazia entregas apenas em Contagem, sua cidade natal. Atualmente, no entanto, a entrega é feita em um raio de 25 quilômetros, o que abrange também Belo Horizonte, Betim e Nova Lima.
Camila adquiriu ainda sua primeira e única lanchonete física da American Burger, em Nova Lima. “Foi uma oportuidade de negócio, a lanchonete já existia. Mas meu foco e prioridade continuam sendo o delivery”, comenta. A unidade é usada também como um segundo ponto de partida para as entregas.
Além das 12 opções de carne vermelha, a marca vende ainda hambúrguer de frango, um vegetariano (grão de bico) e um de salmão, lançado em março deste ano. A média de preços varia de R$ 23 a R$ 35, mais taxa de entrega.
“Acredito que meu sucesso tem muito a ver com a decisão de investir apenas no delivery. Não acho que seja possível ter excelência quando o foco está dividido entre entrega e espaço físico”, conta.
Sérgio Bento De Sepúlvida Júnior
Sócio Administrador e Escritor
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